A pele é dividida em epiderme, derme e hipoderme. A derme é composta por fibras distribuídas desordenadamente e entrelaçadas, conferindo-lhe duas características importantes: resistência e elasticidade. As principais células da derme são os fibroblastos, responsáveis pela produção das fibras colágenas e elásticas. As fibras colágenas conferem resistência à pele. Essas fibras são resistentes à tração, distendendo-se pouco quando tensionadas. As fibras elásticas são mais finas que as fibras colágenas e podem apresentar ramificações. São as fibras elásticas que permitem que a pele retorne à sua forma original depois de estirada, ou seja, são responsáveis pela elasticidade da pele.
Acredita-se que a causa do surgimento de estrias seja multifatorial, decorrente de uma associação de fatores hormonais, mecânicos, inflamatórios e genéticos, que ocasionam destruição das fibras colágenas e elásticas.
Fatores hormonais:
O possível papel dos fatores hormonais no desenvolvimento das estrias pode estar associado ao aumento da expressão dos receptores de estrógeno, andrógenos e glicocorticoides nas lesões.
O aumento do cortisol plasmático, tem ação de catabolismo protéico (consumo de proteína) generalizado, causando atrofia muscular, perda de massa óssea e também degradação das proteínas da pele (colágeno e elastina) presentes nas fibras colágenas e elásticas, reduzindo a elasticidade do tecido conjuntivo e aumentando o risco de desenvolver estrias.
Outro hormônio que possivelmente está envolvido no surgimento dessas lesões é a relaxina. Este hormônio é produzido pela placenta e pelo corpo lúteo em mulheres gestantes e tem como principal função o amolecimento das articulações pélvicas na gestação. A relaxina provoca um remodelamento do tecido conjuntivo através da redução de produção de colágeno e aumento da degradação do mesmo, diminuindo a diferença na proporção de fibras elásticas comparadas às fibras colágenas na derme, e aumentando consequentemente o efeito de elasticidade conferido pelas fibras elásticas em relação ao efeito de resistência conferido pelas fibras colágenas. Desta maneira, o tecido conjuntivo tornar-se-ia mais elástico tanto nas articulações pélvicas, como na pele, permitindo que a mesma sofra o estiramento necessário inerente à gravidez e seja capaz de retornar ao seu aspecto anterior após o parto sem sofrer danos, atuando possivelmente como um hormônio protetor contra as estrias gestacionais.
Fatores mecânicos:
Com o estiramento da pele, forças de tensão podem causar o rompimento das fibras colágenas e elásticas, além de danificar a morfologia e a função dos fibroblastos (células responsáveis pela formação de colágeno e elastina), que normalmente têm forma estrelar e passam a ter formato globular nas estrias, tornando-se quiescentes e perdendo a capacidade de produzir essas fibras novamente.
Fatores inflamatórios:
As estrias podem resultar de uma reação inflamatória inicial, que determina a destruição de fibras colágenas e elásticas, seguida de regeneração dessas fibras na direção imposta pelas forças mecânicas, paralelas à pele, perdendo seu aspecto normal em mosaico tridimensional.
Fatores genéticos:
Algumas doenças genéticas cursam com o surgimento de estrias compondo o seu quadro clínico, tais como a Síndrome de Marfan, a Síndrome de Ehlers-Danlos, displasia ectodérmica e estrias de distensão familiar autossômica dominante.
O fator genético atuando na etiopatogenia da estria também é reforçado pela redução na expressão de genes codificadores de colágeno tipos I e III, elastina e fibronectina. Desta maneira, o fator genético pode ser o responsável pelo surgimento das estrias em determinadas situações.
Pode-se concluir, então, que essas lesões, consideradas de simples diagnóstico, podem, na realidade, ter causas distintas e múltiplas, e por isso precisam ser bem avaliadas para se obter sucesso terapêutico, pois, para cada caso, existe uma conduta médica mais adequada.
Verena Mony Paes de Freitas
Dermatologista pela SBD
CRM-SP 137400, RQE 50837
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